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Ambiente e Envolvência

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BENAVILA – um paraíso ambiental e ecológico no centro do Alto Alentejo


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O ‘centro' de uma sucessão de tempos gloriosos


O concelho de Avis, numa visão geográfica em termos do norte-alentejano, está no centro de um conjunto de concelhos que o circundam quase simetricamente : Mora, Ponte de Sor, Alter do Chão, Fronteira, Sousel, e, como que numa ‘segunda linha', Crato, Portalegre, Estremoz, Arraiolos, e outros circum-vizinhos que fazem de Avis o verdadeiro “centro do norte-alentejano”. Desdobre-se o mapa do distrito de Portalegre e constate-se essa realidade!

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E dentro do concelho de Avis, a Barragem do Maranhão é hoje a verdadeira ‘espinha dorsal' de toda uma área privilegiada e plena de potencialidades culturais e ecológicas, que só visitando a região é possível avaliar em toda a sua extensão .
Entretanto, os campos em volta de Benavila (cujo foral lhe foi concedido por D. Dinis) gozam de um excepcional ‘microclima' amenizado pelas águas daquela Barragem, protegidos que estão das nortadas por elevações circundantes (Carril da Cordeira, Coutada, Limoeiro, Monte Branco, Cumeada, Chafariz, …) que rodeiam o troço da albufeira em frente a Benavila, e pelos vales adjacentes das ribeiras de Seda, Terrujo, Sarrazola, e a de Avis até aos limites da Provença e Monte da Torre .
E todos estes percursos e regolfos da Barragem são dos mais procurados para a prática da pesca desportiva e de outras actividades náuticas (até equipas de remo nacionais e estrangeiras vêm aqui fazer estágios de inverno).

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Esses campos (tal como noutras regiões do Alto Alentejo), foram abundantemente povoados desde os tempos pré-históricos – e disso são sinal inequívoco o conjunto de monumentos megalíticos existentes no concelho de Avis (antas da Ordem, de Figueira e Barros, e muitas outras dispersas) – e mais especificamente em Benavila, podem citar-se os dólmenes da Horta da Palha (a escassos 300 metros da sede da Fundação Abreu Callado) ou os da Cumeada e de todo o vale da Ribeira de Seda, que se estende até cerca da vila com o mesmo nome (Seda), e às portas da qual chegam as águas do Maranhão em anos normais de enchimento e num cenário único de perfis suaves e de recortes arborizados ao longo das margens.

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Mais tarde, é a conquista romana que deixa as suas marcas indeléveis : a lápide funerária da capela de Nossa Senhora de Entre-as-Águas ; os restos da velha ponte do Chafariz e os vestígios encontrados (lápides de mármore, lucernas, mosaicos coloridos, etc) à volta deste monte alentejano construído sobre as ruínas da casa do senhor romano que controlava a passagem da ribeira, bem como a aldeia que a partir dessa casa se estendia até às águas da Sarrazola, – vestígios todos eles parte da envolvente à estrada romana que se estendia das hoje Sevilha a Coimbra, e que aqui atravessava os campos do Ervedal, Monte da Torre, Grandezas (o poço ali existente foi muito provavelmente usado desde há dois mil anos para abastecer os passantes nessa estrada) e que continuava para norte, cruzando a ainda hoje utilizada ponte de Vila Formosa (entre Ponte de Sor e Alter do Chão) e estendendo-se por Abrantes e Tomar, até ao seu termo em Conimbriga. Mas a primitiva aldeia que se espraiava na encosta do Chafariz até à antiga ponte, foi perdendo importância estratégica com o declinar da ocupação romana e mais tarde desapareceu, sendo substituída pela actual localização de Benavila . Aqui, a memória recente ainda conserva imagens das antigas “passadeiras” romanas (entretanto engolidas há mais de cinquenta anos pelas águas da albufeira), enormes blocos paralelipipédicos de granito enterrados e alinhados sobre as ribeiras para permitir o seu atravessamento a pé. E as pedras do piso da velha estrada secular foram depois alimentar as obras do convento de Avis (século XI-XII) e a construção de inúmeros montes senhoriais que os nobres semearam por toda a zona, nos tempos da dinastia de Avis e para ali se instalarem quando acompanhavam o rei nas suas estadias junto da sede da Ordem que deu nome à actual vila-concelho.

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Os vinhos Abreu Callado – um elemento tradicional da paisagem da região


Um dos ícones da região e dos mais prestigiados no Alto Alentejo, são os tintos Abreu Callado , conhecidos desde os anos 50 (e o ‘branco' é igualmente muito apreciado, pela suas características de boca e de frescura, numa transição muito equilibrada entre o seco e o frutado). E, após alguns períodos irregulares na produção, selecção e condições de maturação dos néctares, retomou-se nos últimos anos uma linha de rumo que pretende reacender essa tradição vinícola (a adega é de 1953, onde ainda se processam os vinhos de forma tradicional e mantendo em funcionamento as suas originais ‘ânforas argelinas'), através da presença e actuação regular de um enólogo (Engº António Frederico Falcão) com experiência, gosto apurado e dedicação ao objectivo de recuperar uma marca que teve grande impacto na região norte-alentejana ao longo de várias décadas.

A Fundação dispõe também de uma "equipa residente", um enólogo assistente e uma microbióloga enológica, que coordena no terreno todas as acções de natureza técnica, abrangendo as vinhas, a adega, os vinhos e os ensaios laboratoriais. A par desta vertente técnica, específica da vitivinicultura, a Fundação dispõe também de um departamento que abrange a divulgação, imagem, a comercialização e acções de enoturismo.

Neste site poderá consultar-se mais em detalhe a secção reservada aos Vinhos.


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A riqueza ambiental e ecológica


Em termos de ecologia, Benavila está integrada num AUTÊNTICO PARAÍSO : os campos são de uma calma e tranquilidade raras ; o pôr-do-sol (visto por exemplo da ponte que à saída de Benavila ruma para Alter do Chão) é de uma beleza impar sobre a extensa superfície do Maranhão ; a visão que se pode desfrutar da ponte que mais à frente leva ao Monte Branco e Valongo (por alturas do velho Monte da Rachada), é um deslumbramento de extensão líquida e margens de grande beleza num perder de vista em direcção ao sul ; e é de parar a respiração o cenário no local designado por Praia dos Pinheiros e das suas zonas circundantes (terrenos pertencentes à Fundação Abreu Callado) debruçadas directamente nas águas, quer nas manhãs de orvalhada primaveril, quer nas tardes amenas de pescaria ou simples contemplação dos terrenos e horizontes circundantes ao Maranhão dos dois lados da albufeira
 

A gestão da ‘zona de caça turística' da Fundação permite um repovoamento rápido e muito oportuno de espécies cinegéticas e selvagens, que agora abundam quase em cima da aldeia : centenas de casais de patos fazem ninho no dédalo de moitas, as garças voltaram às margens calmas, as cegonhas chegam a não sair da região na época de Inverno, as gaivotas e gaivinas enchem o céu, abundam as galinholas, narcejas, perdizes, lebres, coelhos, a par de todo um cortejo de predadores destas espécies, que voltaram a coabitar num equilíbrio antigo de fruição dos espaços envolventes à Barragem.
O ambiente é aqui um elemento fundamental da diferenciação ecológica, potenciando as capacidades de turismo de natureza e proporcionando atractividades que já vão escasseando no Alentejo de hoje.


Visitar Benavila e as suas áreas envolventes, é ter a certeza de voltar a tempos de outrora, numa comunhão muito estreita com a natureza e com os testemunhos deixados pelas gerações  que souberam preservar as suas raízes.